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a maria bethânia afirmou hoje, no jornal o globo, que o mais recente disco de chico buarque, intitulado chico, é o disco mais importante da mpb desde aquele antológico em que elizeth cardoso cantava chega de saudade. não é uma declaração generosa, mas uma crítica forte. bethânia não foi badalar o mano caetano nem a mana gal - duas companhias irmãs siamesas da cantora. ela trocou o nepotismo em música popular pelo acirrado senso crítico imparcial. ponto pra bethânia.
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 11:24
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alceu só privilegiados têm ouvido igual
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:26
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ao editor poeta copia poeta poeta copia-se poeta a si copia palavra pia
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:17
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SE SE PURA LITTERA ATUA SEPULTURA-LITERATURA
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:15
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Camões, rock e semiótica - 1 Camões, com seus quase 500 anos de idade, é um jovem poeta que continua encantando a todos nós. Os mais exigentes reconhecem ecos de sua dicção poética em Drummond, Jorge de Lima e Vinícius. A moçadinha de camiseta, calça jeans, tênis e iPod rodando guitarras, também se amarra nos versos camonianos das agendas escolares e no Camões musicado por Renato Russo. Coro de uma considerável legião de jovens urbanos. Todavia, não vamos ser ingênuos a ponto de achar que um senhor poeta, que projetou nossa língua portuguesa internacionalmente e escrevendo na época Quinhentista, seja lido hoje com a mesma fluidez de um Manuel Bandeira. Claro que não. O momento histórico e as condições pessoais do poeta influenciam demais sua poesia. Ler Camões ignorando suas influências históricas, literárias e filosóficas, por exemplo, é deixar passar batido uma pá de significantes e significados que a História nos oferece de colher. Por outro lado, ler Camões como reflexo direto do contexto sócio-histórico-cultural é cometer duas ingenuidades: querer explicar a Poesia através da História ou, pior ainda, querer explicar a História através da Poesia. Sempre que tentamos explicar o contexto histórico através de uma obra de arte qulquer, o que conseguimos é mascarar a História com as travas do nosso ponto-de-vista estético. Neste caso dobramos a obra de arte às nossas velhas convicções. Assim procedendo, qualquer obra se presta ao nosso intento. Nem precisa ser obra de arte. Daí a pergunta: pra que então a obra se eu já sei o que quero explicar no contexto histórico? Quando, por outro lado, tentamos explicar a literatura através (apenas) do contexto social, matamos a especificidade da linguagem artística atrelando-a à nossa visão unilateral do mundo. Se somos socialistas, a obra refletirá um mundo dividido em classes sociais; se somos kardecistas, a obra provará a existência das seguidas reencarnações; se somos heiddegerianos, a obra insistirá na verdade que habita o da-zein (o ser). E por aí vai. Tomemos, a título de breve exemplificação, Camões. Se quisermos explicar o platonismo através de sua lírica nós o faremos. Com o ridículo de um aluninho que quer, a todo custo, encaixar a poesia dentro de moldes teóricos. Pode até fazê-lo com lógica. Mas não há apreensão da forma poética. Daquilo que Octavio Paz, em El arco y la lira, chama de “violência sobre a linguagem”. Ou seja, o poeta arranca as palavras de suas conexões e necessidades de compreensão imediata. É aquele quase indizível da poesia, que a Semiótica chama de ícone, e que Novalis, mui apropriadamente, chama de “uma voz que acompanha nosso si mesmo que figura”.
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:12
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Camões, rock e semiótica - 2 Platão, Plotino, Petrarca, Sannazaro, Garcilaso, Boscón, Horácio, Virgílio, Ovídio e todo o Renascimento pulsam na poesia de Camões. Mas reciclados pelo poeta. Podemos dizer que Camões foi um deglutidor, um antropófago avant la lettre. Mas dentre todas as influências recebidas, Platão é considerado a principal. Tão importante, a ponto do retorno de Camões à Antiguidade Clássica ser trilhado pela via platônica. Camões, dentre tantos líricos da época, foi dos poucos, para não dizer o único, que soube ver nas passagens da doutrina platônica uma forma de investigar as relações da palavra com o seu referente. Então, o seu platonismo é singular: à Verdade, ao Belo, à Justiça, etc, contidos, em estado ideal, no Mundo das Idéias, ele interpõe uma reflexão sobre o signo e sua representação poética. Ao invés de ficar declarando um mundo ideal habitado pela Poesia (ou pela Literatura), coisa que apaixonou os românticos e os fez escravos da inspiração poética, Camões detonou a convencionalidade do signo lingüístico e o permeou de ícones. Aliás, esta técnica vai resultar nos estudos saussurianos sobre os anagramas. Um estudo tão inovador e desconcertante que o próprio Saussure o anotou nuns cadernos secretos aos quais pouco se referia. Esta novidade que Saussure viria a descobrir no início deste século, estudando principalmente a poesia védica antiga, Camões a usou em sua poesia, nos entremeios da teoria platônica. Vejamos rapidamente. O conhecidíssimo soneto “Sete anos de pastor Jacó servia”, narra o episódio bíblico em que Jacó serve a Labão, visando casar-se com sua filha Raquel, mas acaba recebendo a irmã dela, Lia. Parece brincadeira, mas em alguns versos que tratam da espera de Jacó por Raquel, aparece anagramaticamente a palavra Lia, como se desde o início dos sete anos de serviço Labão avisasse: a filha que te cabe é Lia. Só Jacó não percebia isso. Talvez por ter pouca intimidade com a linguagem poética. Certamente por desconhecer Semiótica. Ao soneto: 1 Sete anos de pastor Jacó servia 2 Labão, pai de Raquel, serrana bela, 3 Mas não servia ao pai, servia a ela, 4 E a ela só por prêmio pretendia. 5 Os dias, na esperança de um só dia, 6 Passava, contentando-se com vê-la; 7 Porém o pai usando de cautela, 8 Em lugar de Raquel lhe dava Lia. 9 Vendo o triste pastor que com enganos 10 Lhe fora assim negada a sua pastora, 11 Como se a não tivera merecida, 12 Começa de servir outros sete anos, 13 Dizendo: - Mais servira, se não fora 14 Para tão longo amor tão curta a vida!
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:09
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Camões, rock e semiótica - 3 Vejamos. Jacó serve a Labão porque deseja Raquel. Isto está dito nos 3 primeiros versos. Mas o que acontece? Labão engana Jacó e vai lhe entregando Lia. Coisa que o ingênuo Jacó só percebe no oitavo verso. E, humilde, por amor ideal (isto é: platônico), se dispõe a trabalhar outros sete anos, e mais outros sete, se assim a vida lhe permitir. Cumpre observar que o soneto subdivide-se em dois momentos: por Raquel e sem Raquel. Esta divisão se dá exatamente nos versos 7 e 8: Porém o pai usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. Cada verso iconiza um ano dos sete de trabalho. Como, cabalisticamente, o sete em Literatura (e não só na Literatura, evidentemente) sempre esteve ligado ao infinito, a cada porção “infinita” de tempo, Jacó renova seu amor por Raquel e dispensa Lia. Ora, por que Labão é tão sádico? Aí é que está a questão: Labão não é sádico: Jacó é quem é masoquista, pois desde o verso 2 o nome de Lia já aparece disseminado, muito sutilmente, (é claro: afinal estamos no domínio da linguagem da poesia) e só Jacó (e com ele o leitor ingênuo de poesia) não percebe. O verso 2 diz: Labão, pai de Raquel, serrana e bela. Não diz que ele é também o pai de Lia. Aliás, o nome Lia só aparece explicitamente no último verso da primeira parte. Bem sintomático: Labão está a fim mesmo de esconder o jogo. Mas vai pipocando ora aqui, ora ali, uma dicazinha de que tem outra filha. Já no segundo verso, ao lado do nome de Raquel ele coloca, obliquamente, o de Lia. Vejamos: Labão, pai de Raquel, serrana bela. Mais à frente, no verso 10, a verdadeira pastora aparece dissimulada novamente: Lhe fora assim negada a sua pastora, A obsessão platônica de Jacó não lhe impõe limites. Ao contrário: outras vidas quisera ter para servi-las como paga de seu amor por Lia. E o verso final, revela-nos mais uma vez o nome de Lia: Para tão longo amor tão curta a vida! Nem o ruído do rock nem as abordagens engajadas não escondem o que a Semiótica nos revela: o ícone da dissimulação está presente e faz o encanto do soneto camoniano. Cabe apenas ao leitor/ouvinte atual saber ler/ouvir com um novo repertório. Às abordagens convencionais da lírica de Camões (muito importantes, diga-se de passagem), a Semiótica vem apenas propor mais uma, que, aliás, amplia o leque de compreensão da magnitude deste grande poeta do maor. Com essas e mais aquelas, quem sai ganhando é o próprio leitor, que a cada geração percebe mais uma faceta instigante do grande lírico Luís Vaz de Camões.
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 20:08
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poemail poema e-mail poem-ail poe-email poemail
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:44
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poemail poema e-mail poem-ail poe-email poemail
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:44
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iPod mp∞ 8GB webcam tv cd www dvd htpp vt t+ 9dade cmg kra qq msg vc tc e-m pq blu-ray aki s/ pro naum axo + q blz eh msm & pc ok td no hd td no twitter td no emule & youtube orkut rsrsrs J
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:42
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nada igual mAr rio lagoa luAu cAda um por si ninguém nAda iguAl
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:41
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duplo slogan TROT SKY BON
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:39
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a bandeira do meu partido P T Α R I D O
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 21:38
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| Coluna 120: a despedida | | |
| 24 de novembro de 2009 | Ser colunista semanal não é nada fácil. Além do pouco tempo para redigi-la, tinha ainda a questão sobre o tema: sobre o que escrever esta semana? Ideias não pintam assim a torto e a direito não. Muitas vezes me vali das aulas que ministro no curso de Letras da UFPB - tanto da pós-graduação como da graduação. Poemas e canções estudados em sala de aula vieram em linha direta para muitas destas colunas. Eu imaginava que seria bom para os leitores saber do que eu tratava em sala de aula. E, a mim, facilitava o trabalho ter de redigir aquilo que eu falara apenas oralmente na sala de aula. E para os alunos ficava um documento fixado. Fora os temas de aula, um variado painel de assuntos desfilou por aqui: crítica de filmes, peças de teatro, exposição de artes plásticas, criação literária (um longo conto que se estendeu por 7 semanas), homofobia, transtorno bipolar, realização de eventos literários e/ou culturais, música popular, a morte de meu filho, o corpo pós-humano, novela, best-seller, shows musicais, técnica e tecnologia, cibercultura, poesia digital, soneto, haicai, o romance contemporâneo, etc. Era bom todo domingo à noite enviar ao editor a coluna que seria publicada impressa na terça-feira no caderno Cultura deste jornal e "on line" no mesmo dia. A maior parte destes 2 anos e meio estive sob a batuta do editor, e muito querido amigo, Linaldo Guedes, que sempre se colocou ao meu lado e me ajudou nos impasses de algumas semanas. A ele devo o convite para ser colunista e, mais que tudo, o empenho em ser um colunista "legível", deixando de lado os ranços, as especificidades terminológicas, as expressões cifradas da academia na busca por uma linguagem mais leve e solta, "cool and free". Desencanada. Jãmarrí é meu editor há alguns meses. Mesmo não o conhecendo pessoalmente, vi o quanto ele valoriza meu trabalho e se mostrou um dedicado e atencioso editor. Foi dele o aval para que esta coluna de despedida fosse escrita. E é dele o convite para que eu volte às colunas do jornal quando bem quiser. Sou-lhe muito grato pela gentileza e generosidade deste convite. E assim, meus caros e queridos leitores, me despeço de vocês, cheio de boas lembranças pela receptividade obtida e certo de que um dia estaremos juntos. Por hora, continuo minha coluna mensal no "Correio das Artes", revista literária deste mesmo jornal. Abraço grato a todos. Amador |
Escrito por Amador Ribeiro Neto às 17:29
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|  |  | Destaque |
|  | | O romance "Antônia" e os fuxicos românticos | | |
| 20 de outubro de 2009 | Nestes tempos pós-modernos, literatura é brincadeira com palavras. Aquilo que o autor diz fica irremediavelmente abatido pelo poder da linguagem. Por isso mesmo a trama literária é na quase totalidade ordinária, mesquinha. Muitas vezes conhecida de antemão, no primeiro parágrafo do texto. Ou na contracapa do livro. Leitor de literatura não se amarra no que vai acontecer nas páginas seguintes. Ele deita e rola com o que está acontecendo no parágrafo, na frase, na palavra recém-lidos. Ao escrever "Antônia", seu terceiro livro, Alexandre Salem Szklo bebeu ávido na cartilha da pós-modernidade. Em "Antônia" tudo obedece à lei da exaustão. Nada de significativo é dito. A linguagem, por sua vez, estilhaça-se em referências e citações quase inumeráveis. Os personagens moram na zona sul do Rio de hoje. Parecem comadres e compadres às voltas com fuxicos, mexericos e mesmices do amor burguês. Algo como o enredo de uma novela de TV. O século XIX é o farol estilístico e temático que norteia os romances de Alexandre: "O escapista", "Mentiras", "Um incêndio no mar", "O dizer das cousas" e "Brevidades primaveris". Palavras, expressões completas, e a própria sintaxe obedecem aos volteios estilísticos e temáticos dos nossos romances do século retrasado. Às vezes os ares são sofridamente românticos. Às vezes o tom alinha-se nos engajamentos realistas. Mas, pós-moderno, tudo logo se rarefaz. No esvaziamento proposital da narrativa encontramos um dos méritos de "Antônia". Ao contrário dos românticos que levam a sério as mazelas amorosas, ou dos realistas que se empenham com unhas e dentes na defesa de seus ideais (por favor, não vamos alinhar Machado de Assis nessas tumbas de boas intenções), o romance de Alexandre encharca-se da mesmice cotidiana e de um certo cansaço de viver. Por isso mesmo um personagem de nome pra lá de datado, Fabrício, escreve dentro do romance "Antônia" um outro romance. Características deste livro: sem título, tem como tema o nada e gira ao redor de preocupações desprezíveis. Talvez venha a ser uma alusão ao nazismo, justifica-se o autor. Nazismo?, indaga uma personagem. "Aquela besteirinha, aquela divergência íntima que, se não contida, ganha as dimensões de um monstro...", argumenta sem consistência Fabrício. (Continuo na semana que vem). |
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Escrito por Amador Ribeiro Neto às 17:28
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