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Coluna de Amador Ribeiro Neto Imprimir E-mail
15 de abril de 2008

Computador e poesia digital

O computador é hoje a grande máquina semiótica. Em sua tela desfilam signos dos mais variados matizes, gerando e questionando as formas de absorção das novas linguagens. Passado o tempo em que ele era apenas depósito de arquivos, agora, com a versão individual (personal computer), não há como negar que ele seja fonte de lazer, conhecimento e aprendizagem.

Frente ao universo desafiador e estimulante que ele propicia, a poesia (em especial) dispõe de um espaço a mais para as suas sempre renovadoras formas de manifestação. O cibertexto modifica nossa percepção do mundo, tanto virtual como real. E gera uma nova epistemologia.

Com a mudança do meio de produção, ou das mídias de produção altera-se o produto criado e o modo de sua recepção. O filósofo alemão Walter Benjamin já nos chamava a atenção, na década de 30, para a nova mudança da postura até física do leitor diante do surgimento do jornal – em confronto com o livro.

Da mesma forma a tela do computador impõe, não somente mudança na postura física do leitor, como na convivência e assimilação das novas mensagens.

Diante de imagens que movimentam-se associadas, ou não, a sons e cores, o repertório do receptor pede atualização face a esta nova realidade da obra artística.

Mais que objeto cultural – como pontua o semioticista russo V. Chklóvski – o texto literário é um processo cultural singular, desautomatizador, gerando novas percepções do objeto artístico, do sujeito e do mundo em si.

Em tempos de novos suportes e recursos tecnológicos, a poesia farta-se nas múltiplas possibilidades de criação face às novas mídias.

Estudar as representações daí advindas é um desafio aos ensaístas e críticos da poesia, bem como aos poetas.

Arte-ciência-tecnologia embrincam-se, mais que em outras épocas históricas. Cientes deste fato, é hora de pesquisar, compreender e assimilar as contribuições da era digital. O virtual ocupa hoje o espaço do real. E o real está se transmutando em virtual.

No caso específico de nós, estudiosos e poetas, chegou a hora da análise, interpretação e produção da infopoesia. Ou ciberpoesia ou poesia digital – uma vez que o nome desta poesia ainda não foi fixado. Mas hoje é tempo da poesia e do computador.



Escrito por Amador Ribeiro Neto às 19:14
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