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Coluna de Amador Ribeiro Neto Imprimir E-mail
05 de agosto de 2008

Estação Ciência, Cultura e Artes

João Pessoa ganhou seu marco turístico mais representativo e mais belo: a Estação Ciência, Cultura e Artes. O projeto de Niemeyer não somente valoriza como emoldura e destaca a cidade vista do alto do Cabo Branco. Dali, o oceano, a Mata Atlântica e os prédios da cidade ganham um ângulo de visão particularmente belos. Impossível não chegar ao terraço e de lá não deslumbrar-se com a beleza desta cidade.

Com auditórios equipados com tecnologia de ponta, um anfiteatro a céu aberto, o som brotando dos canteiros gramados (uma solução simples e funcional), a torre para exposições e a vasta e larga passarela que torna a subida ao terraço um passeio por si só.

A ponta do Cabo Branco ficou mais poética e mais bela que nos poemas, canções e telas em que fora retratada até agora. Tecnologia é arte. Hoje mais do que em qualquer época de nossa história. Arte e tecnologia são pares para Niemeyer.

No térreo da torre há uma exposição com os esboços de Flávio Tavares para a gigantesca tela que nos recebe assim chegamos ao prédio dos auditórios. Os esboços são bonitos, isoladamente. Aqui e ali Flávio faz anotações curiosas. É um registro histórico importante.

Quando adentramos o prédio dos auditórios somos recepcionados pela tela, imensa tela, toda iluminada. A sensação que temos é de susto. Como é que aqueles pequenos e bonitos esboços, individualmente, resultaram numa monstruosidade como aquela?

Vendo a tela e estando na arquitetura de Niemeyer vivemos a ubiqüidade de estarmos ao mesmo tempo na Idade Média e na Pós-modernidade. Este, projetou um conjunto de edifícios criativo, funcional, belo. Três marcas da arquitetura de Niemeyer. Aquele (re)produz uma tela plena de símbolos e de um figurativismo anacrônico. A cidade é vista como um todo ao mesmo tempo. Claro que reconhecemos ali personagens de nossa história e do nosso cotidiano. Passagens da fundação da cidade, etc. Tudo apontando para uma simbologia heróica, vencedora, triunfante. Para Flávio Tavares o mundo ainda caminha dentro da redoma medieval. Ainda tem unidade. Ainda tem centro. Ainda respira ufanismo.

A tela de Flávio Tavares é um disparate inaceitável. Somente os visitantes de alma e corações ingênuos deslumbram-se com ela e a tomam como condensação sacralizada da nossa história paraibana.



Escrito por Amador Ribeiro Neto às 19:32
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