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Escrito por Amador Ribeiro Neto às 14:31
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zé celso martinez

 

 

dentre   todos quem

desmente como ele ah

verdade em cena de tantos   

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Escrito por Amador Ribeiro Neto às 14:29
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Jornal A União

Destaque

Coluna de Amador Ribeiro NetoImprimir E-mail
28 de abril de 2009

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PROFESSOR DA UFPB, ESCRITOR E ESCREVE ÀS TERÇAS-FEIRAS NESTA COLUNA
amador.ribeiro@uol.com.br

 

 

Caminho das Índias

A novela "Caminho das Índias" tem posto em discussão, entre outros temas, a esquizofrenia. Esta doença mental, como sabemos, caracteriza-se pela fragmentação do eu, pela perda do contato com a realidade e pelos delírios. Tarso, personagem esquizóide, tem revelado estes comportamentos, mas tem vivido uma dificuldade ainda maior: a resistência de seus pais ao tratamento. Por quê? Entre outras coisas, porque se trata de uma doença mental. Ainda hoje a doença mental é vista como um mal indesejável, insolúvel, desqualificador dos potenciais do doente. O doente mental é um incômodo indesejado 24 horas por dia.

Num dos capítulos o pai se opôs à internação do filho, porque isto mancharia a ficha de Tarso, que tem sido treinado para dirigir a empresa da família. O filho não deseja trabalhar ali, mas como esta é a única condição para morar só e ter sua independência, sujeitou-se. Todavia, é visível seu desconforto no trabalho.

Neste instante, a esquizofrenia do personagem, que já dava sinais antes de ele sair de casa, explode e Tarso surta.

A namorada quer ajudá-lo. É impotente e ineficaz ao tentar resolver tudo com amor e um diálogo de mão única. A mãe o trata como ‘meu bebê’ e priva-o do tratamento psiquiátrico. O pai opta por trabalhar "full time" e tomar analgésicos.

Por que a doença mental é tão discriminada familiar e socialmente? Por que ela é mais terrível que um diabetes, por exemplo? Ambas são doenças incuráveis. Mas plenamente controláveis com medicação.

O esquizofrênico (ou o louco, como é chamado comumente) é visto como um ser perigoso. Ele está fora da razão. E a razão, sabemos, é o fiel da balança do cotidiano. Mentira. Nosso cotidiano é regido muito mais pela desrazão, pelos sentimentalismos, pelos chiliques do que pelo ponteiro do verdadeiro equilíbrio de nossas atitudes.

Convivemos, socialmente, o tempo todo com pessoas doentes. Doentes mentais e doentes psíquicos. Camuflados como "intempestivos", "estressados", "excêntricos", "volúveis", "down", "antipáticos", esquisitos", "arrogantes". E tantos outros adjetivos. Encaramos e aceitamos doentes mentais e psicológicos até o dia em que descobrimos que eles se tratam com psiquiatra e/ou psicanalista. Então, o que era "normal", transmuta-se em "perigo à vista". É a hipocrisia. Individual. Social. (Lamentável).



Escrito por Amador Ribeiro Neto às 14:11
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